terça-feira, 20 de maio de 2008

Teatro 1968 por José Celso Martinez

Por Susana Marques (Editoria de Teatro)

Falar de teatro é mais que um laboratório de pesquisa, é uma viagem de emoções, reflexões, especialmente de 1968, este é de fato um balaio de histórias e muitas curiosidades.

Fatos, emoções, grandes revelações, mas, falar deste gênero é pesquisar sobre figuras que revolucionarão a época. Comecemos então a história e trajetória de um grande teatrólogo, ator; José Celso Martinez Corrêa.

José Celso Martinez Corrêa, nascido em Araraquara em 1937, Diretor, autor e ator. Destacou-se como encenador em 1960, muito inquieto, irreverente, líder do Teatro Oficina, uma das companhias mais conectadas do seu tempo. Encenou espetáculos considerados antológicos, tais como: Pequenos Burgueses, O Rei da Vela, e na Selva das Cidades. Nos anos 1970 vivência todas as experiências da contracultura, transformando-se em líder de uma comunidade teatral e das montagens de suas criações coletivas. Estudou na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, USP, e participou do centro acadêmico XI de Agosto, integrando o núcleo de estudantes que funda o Oficina, grupo de teatro amador, seus primeiros textos, Vento Forte para Papagaio Subir, 1958, e A Incubadeira, 1959, ambos autobiográficos, são montados pela equipe sob a direção de Amir Haddad.

Em 1968, num momento incendiário do teatro, e crítico dos embates entre a categoria e o regime, Zé Celso dirige Roda Viva, de Chico Buarque, no Rio de Janeiro, sua primeira experiência fora do Oficina. Tomando o ingênuo texto de Chico Buarque em torno da vida de um ídolo da canção popular que é manipulado pela imprensa e indústria fonográfica, o encenador utiliza um ritual raivoso e provocador, no qual os atores vãos à platéia incitá-la fisicamente. Considerada emblemática do “teatro agressivo” pelo crítico Anatol Rosenfeld, a montagem reflete um momento que o teatro assume um tom violento, de confronto, de cobrança de atitudes frente à situação sóciopolítico.

Na mesma época, o Oficina já tinha levado outro sucesso aos palcos: Roda viva, primeira peça de Chico Buarque de Hollanda. O espetáculo marcava a radicalização das concepções cênicas de Zé Celso e criticava ferrenhamente a alienação da sociedade brasileira, através da destruição e da agressão dos mitos criados pela cultura de massas. A crítica começou a condenar a violência do espetáculo, porém a peça foi literalmente um "estouro" de bilheteria. Na noite de 18 de junho de 1968, em São Paulo, os atores do espetáculo foram agredidos pelas autoridades, que condenavam o seu "tom subversivo". Ao contrário do que todos imaginavam, o episódio ainda rendeu mais sucesso a Roda viva. No entanto, o episódio se repetiu na temporada de Porto Alegre e a censura finalmente decidiu censurar Roda viva e O rei da vela, em meados de 1968, desta vez, para nenhuma surpresa de todos.

Em junho de 1968, estreava nos palcos do Oficina O poder negro (do americano Leroy Jones), com a direção de Fernando Peixoto, colaborador e braço-direito de Zé Celso. A peça criticava o racismo e a violência das relações entre brancos e negros. A partir daquele momento, o Oficina passou a procurar um texto que retratasse o momento que eles atravessavam, em dezembro de 1968, Galileu Galilei, de Bertolt Brecht estreava nos palcos, com sucesso absoluto de público. A critica mais uma vez se dividiu.

O espetáculo seguinte do grupo, Na selva das cidades (outro texto de Brecht), levado aos palcos em 1969, marcou uma encenação mais ligada ao método de Grotowski e uma crise interna do Oficina. Fernando Peixoto decidiu montar, no mesmo ano, Dom Juan (de Molière), com Gianfrancesco Guarnieri no papel-título. Durante a temporada, o Living Theatre (grupo teatral americano de vanguarda que era liderado por Julien Beck e Judith Malina) chegava ao Brasil para se apresentar através de um convite informal que Zé Celso e Renato Borghi tinha feito ao grupo. O contato entre o Living e o Oficina foi desastroso.

Biografia José Celso Martinez Corrêa (Araraquara SP 1937). Diretor, autor e ator. Destacado encenador da década de 60, inquieto e irreverente, líder do Teatro Oficina, uma das companhias mais conectadas com o seu tempo. Encena espetáculos considerados antológicos, tais como Pequenos Burgueses; O Rei da Vela; e Na Selva das Cidades. Nos anos 1970, vivencia todas as experiências da contracultura, transformando-se em líder de uma comunidade teatral e das montagens de suas criações coletivas. Estuda na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, USP, e participa do Centro Acadêmico XI de Agosto, integrando o núcleo de estudantes que funda o Oficina, grupo de teatro amador. Seus primeiros textos, Vento Forte para Papagaio Subir, 1958, e A Incubadeira, 1959, ambos autobiográficos, são montados pela equipe sob a direção de Amir Haddad. Para comemorar a presença de Jean-Paul Sartre no país, traduz e adapta, juntamente com Augusto Boal, líder do Teatro de Arena, o roteiro cinematográfico de A Engrenagem, encenado por Boal com o Teatro Oficina em 1960.

Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado na revista Vogue de janeiro de 2007. Ruy Castro, 14/01/2008

Um comentário:

JuB_Puh.dinha disse...

Muito bom!
Cheguei aqui à procura de dados sobre o Zé Celso para compor um trabalho iterdisciplinar da escola (gramática, redação e literatura) e encontrei muito do que eu precisava.
Encantada com o seu blog e pretendo voltar mais vezes!
^^