quarta-feira, 11 de junho de 2008

A ideologia da moda no Brasil

1968 ficou conhecido no mundo da moda, como o ano da quebra de valores e agressividade, onde os jovens tentavam buscar a liberdade de expressão através do seu estilo

por Luana Zuquim (Editoria de Moda)

Em 1968, os jovens estudantes brasileiros foram para as ruas contestar a ditadura militar, o sistema de ensino, os costumes e cultura. Era o movimento estudantil, cujas manifestações levaram a alcunha de contracultura. A rebeldia atingiu não só o comportamento de quem lutava por um país melhor, mas também a moda da década de 60, que, além da estética, passou a significar, também, uma nova visão política.

O grupo musical "Os Mutantes", formado por Rita Lee e os irmãos Arnaldo e Sérgio Batista, foram um grande exemplo do movimento. A banda seguia o caminho da contracultura e se afastava da ostentação do vestuário da “Jovem Guarda” (Wanderléa e Roberto Carlos, com roupas coloridas e penteados exagerados), apresentando sua insatisfação com a burguesia através de suas canções e do estilo que passaram a adotar/; uma aparência proletária, através do uso da calça jeans (na época, usada somente por operários) e das batas de tecido barato.

“Os Mutantes” que ficaram conhecidos pelo estilo psicodélico

Em contrapartida, na mesma época surgiam no Brasil as butiques chiques. A moda étnica estava presente nas echarpes indianas, túnicas floridas e uma série de acessórios da nova moda, que misturam o retrô com o pop.

Estilo “Jovem Guarda”

Como a década de 60 se caracterizou por uma série de mudanças na sociedade, houve também quem se rebelou contra os próprios pais. Eram os hippies, que, sob o lema “paz e amor”, abriram mão do conforto (casa, comida e roupa lavada) para viver em comunidades, junto à natureza. Essa moda ficou bastante marcada. As roupas eram, normalmente, compradas em brechós ou mercados de rua, dando o aspecto de desbotadas e usadas. Eram jeans bordados com flores, calças de algodão, boca de sino, estampas indianas e saias compridas – ao contrário da moda americana, onde a mini-saia era o ponto forte. Os jovens do movimento possuíam os cabelos longos e despenteados.

A moda acabou ficando determinada pelo gosto da juventude, sendo assim, as tendências variavam muito. Como já dito anteriormente, os brechós passaram a dominar o comércio. O modo de se vestir acabou se tornando democrático e unissex, como representação da filosofia de vida na busca de liberdade, igualdade e desprendimento da sociedade capitalista. Nesse sentido, o surgimento da pílula anticoncepcional para as mulheres, no início da década, foi o fator-chave para a liberdade sexual feminina.

Estampas coloridas em tecidos de algodão. Moda Hippie dos anos 60.

Fatos importantes de 1968 :

. Surge no Brasil a Pop art, trazendo o estilo psicodélico.
. A imprensa alternativa é realizada c
om as revistas femininas: O Cruzeiro, Manchete e Jóia.
. Programas de auditório (realizado pela TV Record), assim como os grandes festivais, revelaram grandes talentos da música brasileira. Tais como: Elis, Roberto Carlos, Gil, Caetano, Milton Nascimento, Geraldo Vandré, Edu Lobo, Mutantes.

Roupas e acessórios dos anos 60:

Terninho estilo Beatles;
Mini-saia;
Calças de cintura baixa e a famosa “Boca
de sino”;
Tecidos acetinados,com cores vibrantes, estampas preto e branco, coloridas e floridas;
Botas brancas e de verniz, bico fino e salto baixo;
Taileur com mangas ¾;
Vestidinhos curtos estilo: tubinho;
Roupas futuristas;
Tecidos sintéticos, plásticos e metalizados.


Vídeo do 1° show dos Mutantes na TV Record

E o samba pediu passagem

Por Camila Seta e Suellen Campos (Editoria de Música)

Embora 1968 fosse mesmo o ano da MPB e dos festivais que revelaram grandes artistas da música popular, o samba pediu passagem e esperava ocupar seu merecido lugar ao sol. Alguns anos antes, em 1963, o Zicartola promovera um ressurgimento do ritmo no Rio de Janeiro. Era um bar no Centro, comandado com quitutes e muita cerveja por dona Zica, mulher de Cartola, e pelo grande sambista da Mangueira, que andara sumido. Cartola foi redescoberto e compositores como Zé Kéti, Elton Medeiros, Nelson Cavaquinho e Paulinho da Viola foram apresentados ao público carioca da Zona Sul no Zicartola.

Também em 1963, os CPCs da UNE permitiram o surgimento de lugares especiais para a música e a dramaturgia, como o Teatro Opinião, que contava com a paixão de Nara Leão pela música brasileira e, mais tarde, o vigor de Maria Bethânia e a presença iluminada de artista como Zé Kéti e João do Vale. O fato é que os anos 60 foram uns tempos de redescoberta da identidade brasileira. Na musica, no cinema, no teatro, a ordem do dia era a valorização da cultura nacional.

Assim, o espaço na televisão e nos festivais estava ocupado pela MPB. Em 68, o samba foi à luta. O protesto dos sambistas, endossado por jornalistas e críticos de música, principalmente os do Rio de Janeiro, reclamando que o samba não vinha tendo uma presença marcante nos festivais, abriu espaço para a criação da Bienal do Samba, realizada em julho de 1968, em São Paulo (com apenas uma outra edição, em 1971), que se tornou um contraponto aos festivais nacionais e internacionais. Muitos dos grandes sambistas do Brasil compareceram, alguns concorrendo, outros como convidados. Na Bienal, valia o voto do júri na música e o conjunto da obra do compositor.

Os participantes eram escolhidos por uma comissão especial e cada compositor indicado inscrevia a música que quisesse, sem julgamento prévio, desde que fosse inédita. Muitos grandes nomes foram desclassificados, inclusive na fase de seleção preliminar, como Wilson Batista, que morreria pouco depois.

O palco era o badalado Teatro Record, em São Paulo, e a grande divulgação que se fez do evento estimulou muitos compositores e intérpretes a participar. Era também uma oportunidade de os sambistas mostrarem seu trabalho. Assim, músicos como Ismael Silva, Pixinguinha, Walfrido Silva, Wilson Batista, Cartola, Pedro Caetano, Claudionor Cruz, Germano Mathias, Jorge Veiga, Isaura Garcia, Nora Ney, Jorge Goulart, Demônios da Garoa, Adoniran Barbosa, Helena de Lima, Miltinho, Ciro Monteiro e Ataulfo Alves dividiram o palco com Chico Buarque, Elis Regina, Jair Rodrigues, MPB 4, Márcia, Marília Medalha, Milton Nascimento, Edu Lobo, Baden Powell, Elton Medeiros, Paulinho da Viola, Marcos e Paulo Sérgio Valle, Sidney Miller, durante as três eliminatórias realizadas nos dias 11,18, e 25 de maio.

A nata do samba estava presente com suas músicas. Lapinha, de Baden de Powell e Vinicius de Moraes, cantada por Elis Regina e com o apoio dos Originais do Samba, dominou a Bienal desde a sua primeira apresentação e se tornou um número imbatível. A música levou o primeiro lugar e Elis foi escolhida a melhor intérprete. Chico Buarque concorreu com “Bom tempo”, um maxixe, e ficou em segundo lugar. Em terceiro ficou “Pressentimento”, de Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho; em quarto, “Canto chorado”, de Billy Blanco; em quinto, “Tive sim”, de Cartola; em sexto, “Coisas do mundo, minha nega”, de Paulinho da Viola; e em sétimo, “Marina”, de Sinval Silva. Ataulfo Alves foi de “Laranja madura”.

Uma história curiosa, contada pelo histórico produtor musical Solano Ribeiro em seu livro Prepare seu coração – A história dos grandes festivais, ilustra a boemia dos participantes da Bienal:

“Certa madrugada, com os primeiros lampejos do dia nos ameaçando, ao passarmos pela esquina da Avenida Ipiranga com a São João, Araci de Almeida, com seu jeito autoritário, disparou com solenidade: ‘Agora, em homenagem ao Paulinho Vanzolini, que fez a fama desta avenida, eu convido todo mundo para uma última rodada.’ Assumiu então a frente do grupo, que, obediente, não tinha outra alternativa senão segui-la. Uma dose a mais ou a menos já não faria muita diferença. Para surpresa geral, a Araçá levou a turma para uma farmácia e foi logo ordenando a um espantado atendente: ‘Manda uma vitamina B12 na veia dessa moçada, senão ninguém vai chegar em casa com o fígado inteiro’, e acrescentou: ‘Essa quem paga sou eu!’”

França - “O ano 01”. A força de 1968

Por Taissa Saldanha (Editoria de Cinema)

O filme foi produzido no início dos anos 70 e com inúmeras referências à estética das histórias em quadrinhos. O filme, escrito pelo cartunista Gébé e com direção de Jacques Doillon, imagina uma greve geral contra o capitalismo. E se de um dia para o outro o mundo combinasse de parar de trabalhar? Se todos cruzassem os braços contra o sistema?

Mesmo não sendo um desenho animado, a linguagem usada é essa e inspira o decorrer da narrativa. As passagens são fragmentárias, desconectadas entre si, e cada uma contém um humor e uma piada em especial. Aos poucos, essas várias “charges cinematográficas”, ou “desenhos animados filmados”, vão se unindo passando a constituir uma narrativa.

Porém, para conteúdo subversivo, estética subversiva. Doillon mantém sua proposta e o filme segue sem personagens principais. Os atores são centenas de conhecidos, como Gérard Depardieu, Thierry Lhermitte, Miou-Miou, Coluche, que aparecem em pequenas pontas, mas nunca reaparecem. O que podemos classificar como um grande personagem no filme é o povo ou então a revolução.

A produção é de 1972, mas percebemos ainda a ferveção de maio de 1968, dos ideais jovens e do movimento hippie. Percebemos também que esse filme passa a constituir um verdadeiro documento histórico já que aborda assuntos relacionados à ascensão da prática de liberdade e igualdade e sobre o desenvolvimento das idéias que permitiram esses eventos de se produzirem.

A anarquia de Doillon e da época não se baseia na idéia de tomada de poder, mas na idéia de ausência de poder. Nesse pensamento, a terra (agricultura) oferece tudo que o homem precisa, portanto não haveria um desejo de enriquecimento. O dinheiro perde todo o sentido e o trabalho é reduzido ao mínimo necessário para o consumo.

O filme mostra as últimas conseqüências e os efeitos dessa paralisação na sociedade: da quebra das bolsas de valores norte-americanas, na melhora de vida nas colônias africanas e no fim da idéia de propriedade e posterior abolição das prisões.

O ritmo intenso segue o filme todo até o final. Amor livre, cultura revolucionária e ideologia anarquista global.

L’An 01 (1973)
Filme francês dirigido por Jacques Doillon (com Alain Resnais e Jean Rouch).

terça-feira, 10 de junho de 2008

Histórias de quem viveu a História

Por Keliane Muniz (Editoria de Literatura)


Valores sociais ultrapassados; falsos moralismos; repressão sexual; injustiças sociais; a guerra do Vietnã; barricadas de Paris; por aqui a Passeata dos Cem Mil e o AI-5... Assim foi 1968, o ano mais polêmico do século XX. Quarenta anos depois das manifestações que atingiram várias partes do globo simultaneamente, chegam às livrarias de todo o país obras para não deixar a data passar em branco. Fotografias, histórias e depoimentos de políticos, artistas, jornalistas ou simplesmente revolucionários comuns compõem a vasta documentação do que foi a geração que não teve medo de ir às ruas protestar.

Como um plano arquitetado em escala ocidental, 1968 abalou as sociedades. Estas nunca mais seriam as mesmas depois do fatídico ano que delimitou um ponto de virada político-sócio-cultural. Na França, até hoje, a direita rotula o maio de 68 como “evento”; já a esquerda prefere chama de “movimento”.

Para relembrar o período, livrarias como a da Travessa e Saraiva criaram espaços em suas lojas e sites dedicados exclusivamente a publicações atuais e antigas que abordam o ano de 68, facilitando a busca de material para os interessados no tema.

Selecionamos aqui seis lançamentos literários sobre o assunto, falando um pouco sobre cada um e dando a dica do melhor preço do mercado. Viaje no tempo e entenda o louco, enigmático, rebelde e utópico 68. Boa(s) leitura(s)!


1968 – ELES SÓ QUERIAM MUDAR O MUNDO

Autores: Regina Zappa e Ernesto Soto
Editora: Zahar - 311 págs.
Melhor Preço: R$ 33,90 – Submarino (www.submarino.com.br)

Organizado mês a mês por capítulo, 1968, Eles só queriam mudar o mundo, dos jornalistas Regina Zappa e Ernesto Soto, destaca os principais acontecimentos de 1968, no Brasil e no mundo. O livro ilustrado traz entrevistas e depoimentos de personalidades da época como os compositores Chico Buarque e Edu Lobo, o ex-deputado Vladimir Palmeira, o documentarista Vladimir Carvalho, entre outros, além de descontrair ao abordar músicas, filmes, futebol e moda do período. Um verdadeiro almanaque da geração de jovens que lideraram protestos, descobriram novas formas de luta e que até hoje influenciam nossas vidas.

Na capa, uma curiosidade: o rapaz é o designer Túlio Mariante pichando a palavra LIBERDADE no muro da Uni-Rio, no bairro da Urca, numa ação revolucionária em dia de repressão e muita pancadaria.


1968 – O QUE FIZEMOS DE NÓS

Autor: Zuenir Ventura
Editora: Planeta - 232 págs
Melhor preço: R$ 58,60 – Submarino (www.submarino.com.br)

Incluída a obra 1968 – O ano que não terminou, em uma caixa presente

Embora vendido separadamente, o novo livro de Zuenir Ventura 1968 – O que fizemos de nós pode ser comprado também em uma caixa comemorativa que contém a reedição de 1968 – O ano que não terminou, lançado há 20 anos. Este último tornou-se best-seller, com mais de 40 edições, além de ser considerado referência para o estudo da década de 60.

Na nova obra, o jornalista faz um paralelo entre o que se modificou desde o livro lançado em 1988 até os dias atuais. Zuenir aborda questões como a relação dos movimentos estudantis e anticapitalistas de 68 com o movimento dos jovens de periferia de hoje em dia. Levanta ainda a polêmica sobre uma nova luta entre a juventude ou sua alienação através do consumismo.

A segunda parte do livro é dedicada a depoimentos inéditos de Heloísa Buarque de Hollanda, Caetano Veloso, Fernando Henrique Cardoso, José Dirceu, Fernando Gabeira, Franklin Martins, entre outros.


68: DESTINOS – PASSEATA DOS CEM MIL


Autor: Evandro Teixeira
Editora: Textual - 120 págs.
Melhor Preço: R$ 88,20 – Livraria Martins Fontes (www.martinsfontespaulista.com.br)

Evandro Teixeira começou sua carreira no fotojornalismo em 1958. De lá para cá, sua câmera registrou cenas históricas do Brasil. Uma delas foi a Passeata dos Cem Mil, em 26 de junho de 1968, na Cinelândia, Rio de Janeiro. O momento virou referência para muitos jovens daquela geração que se reuniram para protestar contra a ditadura militar. O motivo foi a morte do estudante Edson Luís de Lima Souto, em 28 de março daquele ano.

Evandro conseguiu encontrar cem pessoas presentes àquela manifestação, fotografá-las no mesmo cenário de quarenta anos atrás e contar um pouco de suas histórias pessoais, a importância daquela efervescência vivida no Brasil e como ela influenciou suas vidas. A idéia do projeto veio depois de várias repetições do mesmo fato: alguém se emocionando ao se reconhecer na foto.

O livro conta com depoimentos de Vladimir Palmeira, Fernando Gabeira, Marcos Sá Corrêa, Augusto Nunes, Fritz Utzeri, entre outros.


MAIO DE 68: EXPLICADO A NICOLAS SARKOZY


Autores: Andre Glucksmann e Raphael Glucksmann

Editora: Record - 235 págs.
Melhor Preço: R$ 33,30 – Livraria Leitura (www.leitura.com)

Pai e filho se reúnem na autoria desta obra. De um lado, o filósofo André Glucksmann, militante nas manifestações da Paris de 68 e promotor da campanha de Nicolas Sarkozy à presidência da França; e do outro Raphael Glucksmann, cineasta reconhecido por seus filmes de vertente política. Juntos eles traçam um paralelo entre a juventude de 68 e a atual geração.

O título do livro foi dado devido a um comício de Sarkozy, ainda em campanha, em abril de 2007, quando este criticou profundamente o movimento. Sarkosy propôs enterrar o maio de 68, acusando-o de “introduzir cinismo na sociedade e na política”. André se sentiu ofendido e quis desde então provar, com a obra, que o futuro presidente, que tinha apenas treze anos na época, não seria nada sem aquelas manifestações ocorridas há quatro décadas.


EM 68: PARIS, PRAGA E MÉXICO


Autor: Carlos Fuentes
Editora: Rocco - 160 págs.
Melhor Preço: R$ 20,00 – Submarino (www.submarino.com.br)

Um dos maiores intelectuais da América Latina, o mexicano Carlos Fuentes presenciou as manifestações de 68. No livro, ele conta três episódios que viu de perto naquele ano: as barricadas de Paris, em maio; a Primavera de Praga, em setembro e o massacre de Tlatelolco, na Cidade do México, em outubro. Sua obra relata a vivência durante ou pouco tempo depois dos acontecimentos. Fuentes traz reflexões pessoais e depoimentos de estudantes, professores, operários e intelectuais como Milan Kundera, Gabriel Garcia Márquez e Jean-Paul Sartre.

O destaque fica por conta das descrições apaixonadas de quem viveu a época com a consciência de estar diante de um momento histórico, que deveria sobreviver por quatro décadas e ser conhecido por todos. Fuentes assistiu a jovens serem espancados e humilhados em praça pública e, por ter testemunhado os movimentos, decidiu escrever sobre eles.


MAIO DE 68

Organizadores: Sergio Cohn e Heyk Pimenta
Autores: Maurice Jouyrex, Allen Ginsberg, Abbie Hoffman, Peter Berg, Daniel Cohn-Bendit, Roel Van Duyn, Peter Coyote, Jean-Paul Sartre, Barry Miles, Allan Watts, Edgar Morin, Henri Lefebvre, Rudi Dutschke, Gary Snyder, Theodor Adorno, Timothy Leary e Herbert Marcuse

Editora: Azougue - 221 págs.
Melhor Preço: R$ 19,90 – Livraria da Travessa (www.travessa.com.br)

Em comemoração aos 40 anos dos movimentos de Maio de 68, Sergio Cohn e Heyk Pimenta organizaram uma edição especial da Coleção Encontros para lembrar a data. Reunindo uma documentação importante, a obra permite entender o período que mudou a cultura ocidental. Trazendo entrevistas – algumas delas inéditas – com Daniel Cohn Bendit, Jean-Paul Sartre, Marcuse, Adorno, Edgar Morin, Timothy Leary, Allen Ginsberg, entre outros, o livro faz uma análise do que foram os acontecimentos de 68, suas causas e conseqüências.

Grupos que promoveram manifestações políticas, sociais e culturais na ocasião também ganham destaque, como os Provos, na Holanda, contra a monarquia e a burguesia consumista; os Diggers, estudantes que iniciaram o que mais tarde seria conhecido como o movimento hippie, nos EUA; e os Situacionistas, na Itália, que aspiravam por grandes transformações questionando os pilares da sociedade.

Automobilismo Carioca 1968

Por Gustavo Pinheiro (Editoria de Esportes)

O automobilismo carioca vivia uma grande fase em 1968, com um autódromo recém inaugurado, este no ano de 1966, 26 anos depois de Interlagos. Nessa época surgiram várias corridas das quais podemos destacar: I 500 Milhas da Guanabara, III 500 Km da Guanabara, 250 Milhas de Guanabara, II Mil Km da Guanabara. Todas essas provas foram disputadas no autódromo de Jacarepaguá. Apesar disto, as famosas prova de circuito de rua e as subidas de montanha continuavam ocorrendo. Essas provas de rua e subida de montanha eram em sua maioria disputada em Petrópolis, cidade que teve e ainda têm muita influência no certame nacional.

Essas disputas na pista eram sadias, pois ajudaram o desenvolvimento dos carros nacionais da época. Havia centenas de marcas interessadas em aparecer no automobilismo e as corridas no Rio de Janeiro era a melhor opção, afinal nesta época a cidade ainda era a capital do país. E assim surgiram também pessoas importantíssimas para o automobilismo, sejam mecânicos e pilotos.

O Rio de Janeiro foi palco de disputas memoráveis como as de José Carlos "Môco" Pace e Wilson Fittipaldi a bordo de seus Karmann-Guia/Porsches. E também foi palco de lançamentos de carros de corrida como o Lorena GT que foi o utilizado pela "Equipe Colégio Arte e Instrução" para competição, à partir do início de 1968. Este carro foi fabricado no Rio de Janeiro. Sua carroceria sofreu diversas modificações para a utilização da mecânica Porsche, redução de peso, e adaptação para competições. Teve ainda o lançamento do AC (Anísio Campos) , um “esporte protótipo de competição” projetado e construído em serie para atender a demanda das corridas oficiais. Coube a Puma essa iniciativa, com cinco unidades, com intuito de virar uma Porsche latino-americana.

AC pilotado por Francisco "Chico" Lameirão

Karmann-Guia/Porsches de Wilson e Pace

Lorena Gt pilotado por Sérgio Cardoso

domingo, 8 de junho de 2008

O Cinema como estopim de muitas revoluções

Por Ana Cristina Coelho (Editoria de Cinema)

Um apaixonado por cinema poderia muito bem dizer que os "eventos de Maio", as greves e tumultos que sacudiram a primavera de 1968, na França, começaram no cinema. No dia 9 de fevereiro, o visionário colecionador de filmes, Henri Langlois, que fundara a Cinemateca Francesa em 1936, foi removido de sua posição de presidente da instituição por Andre Malraux, ministro da cultura do governo de Charles de Gaulle. Porém, o tal Langlois era considerado por muitos cinéfilos e cineastas estreantes, pai espiritual da Nouvelle Vague. Em suas sessões de filmes de arte, filmes proibidos e filmes originais, ele criou o primeiro templo para os amantes do cinema de autor. Imediatamente François Truffaut decretou: "Defender a Cinemateca é um ato político!". Alguns dias depois, em 14 de Fevereiro de 1968, três meses antes do fatídico "Maio de 68", a Polícia de Intervenção Francesa reprimiu uma manifestação de milhares de pessoas, incluindo personalidades do cinema como Jean-Luc Godard, Truffaut, Catherine Deneuve ou Jeanne Moreau, que na ocasião, tentavam chegar ao Palácio Chaillot, sede da Cinemateca, para apoiar Henri Langlois, o famoso "Monsieur Cinema".

Em Maio, a França estava repleta de motins, greves e manifestações de massas, e os cinéfilos continuavam todos do mesmo lado da barricada. Algumas das tradições e instituições mais veneráveis da França pareciam estar sob ataque, e o Festival de Cannes, o charmoso evento da primavera, também não ficaria imune. O burburinho começou no dia 13, quando os cineastas Jean-Luc Godard, François Truffaut e Claude Lelouch chegaram à 21ª edição do evento para espalhar o espírito da revolta que acontecia em Paris desde o início daquele mês. Em 18 de maio, quando o longa de Carlos Saura "Peppermint Frappé" seria exibido na disputa pela Palma de Ouro, um protesto de cineastas cancelou a sessão e o próprio diretor pediu aos organizadores que não exibissem seu filme para que o cinema "deixasse a revolução passar". No dia seguinte, o festival estava oficialmente cancelado, sem que houvesse premiação. Foi a única vez em que uma edição do festival foi interrompida antes do fim. Eram os gritos de protesto que tomavam as ruas de Paris no Maio de 68 ecoando em Cannes. O filme de François Truffaut "Baisers Volés" ("Beijos Roubados"), rodado neste mesmo conturbado ano, acabaria por ser dedicado à crise na Cinemateca Francesa, tendo com plano inicial a entrada do Palácio Chaillot.

Mas, não foram somente as revoluções de rua que aconteceram em 1968, o ano seria ainda marcado pelas revoluções na estética cinematográfica, e o filme "2001, Uma Odisséia no Espaço" de Stanley Kubrick, inaugura em abril esse novo cenário. O filme, escrito a quatro mãos com o escritor de ficção científica Arthur C. Clarke, prevê não só a chegada do homem a lua que se daria um ano depois, como também é o primeiro filme a levantar a hipótese da Inteligência Artificial. Considerado por muitos o melhor filme de ficção-científica de todos os tempos, trouxe avanços nas técnicas de filmagem, criando o conceito de steadicam, em que um cinegrafista carrega uma pesada câmera Panasonic, para dar realidade às cenas de tensão. O filme fez um sucesso enorme entre os jovens da época e atribui-se tal sucesso às imagens psicodélicas nas seqüências do túnel de luz, a viagem mais próxima do LSD, droga muito consumida na época.

Outro terremoto ainda estaria para acontecer no final do idílico verão europeu deste mesmo ano, agora no Festival de Veneza. O mais que arrebatador "Teorema" de Píer Paolo Pasolini provou uma enorme polêmica ao ser lançado, chocando as platéias do mundo inteiro ao mostrar uma alegoria da volta do "messias" em forma de falo. O belíssimo Terence Stamp faz o papel de enigmático Jesus Cristo, que aqui é anunciado como estranho pelo carteiro, em vez de por anjos. O "estranho" transa com todos da casa, a mulher, o marido, o filho, a filha, a empregada. Todos, depois de se relacionarem com ele, mudam radicalmente de vida. E numa crítica impiedosa à sociedade burguesa, nenhuma pessoa com valores individualistas e frívolos conseguiu sobreviver ao "amor" de Cristo, apenas a doméstica, como representante do povo, é capaz de redenção. O filme revoluciona por ser também o primeiro nu frontal masculino da história do cinema e arrebatou o prestigiado prêmio do Office Catholique du Cinéma (OCIC), o órgão católico que premia o cinema. Essa premiação apenas acrescentou uma dose extra de escândalo ao filme. Afinal, Pasolini, notório marxista e homossexual assumido, era também cristão.

Grandes nomes da moda na década de 1960

Por Clarissa Mello (Editoria de Moda)

Os anos 60 representaram um marco no mundo da moda. Grandes estilistas da atualidade surgiram e outros, já conhecidos, se consagraram em uma época marcada pela revolução político-cultural. A mini-saia, a gola rolê e a modelo Twiggy são alguns dos símbolos de uma década de muitas descobertas e novos rumos democráticos.

Revista Vogue – Abril de 1968

Cacharel

Lançada por Jean Bousquet Cacharel nos início dos anos 60, a marca nasceu em um pequeno ateliê, onde o estilista costurava camisas masculinas. Hoje um dos maiores estilistas do mundo, Cacharel contribuiu com a criação de um estilo jovem, romântico e cheio de cores.

O criador for responsável pelo desenvolvimento de blusas justinhas e de malha, com golas altas e mangas compridas, que fizeram sucesso no Brasil e no mundo. Também foi Jean quem criou as saias-calças e trouxe para as ruas as minissaias com três pregas para cada lado, usadas com suéteres de lã.

A moda de Cacharel na década de 60

Mary Quant

Nascida em Londres, Mary Quant foi um dos principais nomes da década. A jovem estilista revolucionou a moda nos anos 60, ao lançar, em sua cidade-natal, sua primeira loja, a Baazar. Inspirada na cultura pop, Mary criou de tudo um pouco: de sutiãs até belos vestidos prêt-à-porter.

No entanto, a maior atribuição que a estilista carrega, é a de ter criado a minissaia. Ainda que o boato não seja confirmado, não se pode negar que Quant foi uma das maiores divulgadoras dessa nova maneira de fazer moda: sem distinção de classe e idade e com muita criatividade. Não é à toa que Mary Quant era queridinha de bandas como os Rolling Stones.


Yves Saint Laurent

Nascido na Argélia, o estilista foi descoberto por Christian Dior em 1954. No entanto, foi nos anos 60 que Yves Saint Laurent tornou-se sinônimo de moda e alta-costura, quando criou o smoking para mulheres, as botas de canos longos que iam até a coxa, as jaquetas de couro preto e o terninho com blusa transparente, em 1968, permitindo que as mulheres pudessem unir elegância ao conforto.

Na década da rebeldia, o estilista inspirava-se em Andy Warhol, símbolo da pop-art, no entanto, ficou mais conhecido por seu estilo clássico e cores sóbrias, tendo como musa a atriz Chaterine Deneuve.

Croquis de Yves Saint Laurent

Givenchy

Francês, Hubert de Givenchy, já aos 17 anos, mostrava seu talento com seus desenhos de moda. Elegância sempre foi uma marca do estilista, reconhecido por seu requinte e por suas criações para o cinema. Logo no início da década de 60, o francês criou os modelos que Audrey Hepburn imortalizaria no filme Bonequinha de Luxo, como um vestido longo preto e uma piteira, que ainda hoje servem de inspiração para ensaios fotográficos.

Givenchy ainda revolucionou a forma que as mulheres se vestiam ao criar as peças separáveis e independetes, que podem combinar entre si. Até então, blusas e saias só podiam ser usadas como conjunto.

Audrey Hepburn no modelo exclusivo de Givenchy

Audrey Hepburn

Audrey Hepburn, logo no início da carreira, foi considerada alta e magra demais para se tornar uma estrela. Entretanto, seu rosto delicado e elegância fizeram com que a atriz conquistasse uma geração e se tornasse símbolo de requinte e glamour.

Segundo Givenchy, “Audrey era um ideal de elegância e uma inspiração para o trabalho”. Considerada a eterna “bonequinha de luxo”, pelo filme em que estrelou no início da década de 60, Hepburn foi uma das atrizes mais bem pagas de sua geração até o início dos anos 70.

Paco Rabanne

Na década de 60, Paco Rabanne apresentou-se como um estilista pioneiro. Moderno, ele misturava materiais como plástico e metal em suas roupas, misturando arte com moda. Futurismo era palavra de ordem para o “metalúrguico”, apelido dado por Coco Chanel.

Seu primeiro vestido de plástico foi lançado em 1965. A partir daí, o estilista passou a costurar com alicates e fita adesiva ao invés da agulha, e metal e papel no lugar do tecido, se tornando referência para muitos. Paco Rabanne investia em inovações e criatividade em suas peças, não importando o desconforto.

Coleção de inverno de 1968 de Paco Rabanne

Twiggy

A modelo Twiggy, que mais tarde se tornaria atriz e cantora, se tornou ícone dos anos 60. Magra, de baixa estatura, cabelos loiros e curtos e grandes olhos maquiados com rímel e delineador preto, a primeira top model do mundo emprestou o nome para bonecas, jogos, canetas, entre outros produtos.

Todas as garotas descoladas da época queriam ser Twiggy, que fez sucesso por se contrapor ao padrão de beleza voluptoso dos anos 50. Em 1969, a modelos lançou a sua primeira autobiografia: Twiggy by Twiggy (How I Probally Just Came Along on a White Rabbit at the Right Time, and Met the Smile on the Face of the Tiger.

Anne Klein

Americana, a estilista fundou sua primeira loja, a Anne Klein and Co. em 1968. Anne desenvolvia a moda jovem, e ficou conhecida por seu estilo Sportwear, combinando blazer com vestidos e casaquinho, tops e blusão de aviador, capus e vestidos colantes de jérsei.

Foi a partir da elegância e praticidade da moda da estilista que a Anne Klein and Co. fez sucesso e abriu caminhos para novos talentos na época, apadrinhando estilistas como a contemporânea Donna Karan.

Anne Klein em seu ateliê em Nova Iorque