domingo, 15 de junho de 2008

Um empurrão nefasto no autor de “Ponteio”

Por Camila Seta, Suellen Campos e Gustavo Medeiros (Editoria de Música)

Edu Lobo, um dos músicos mais talentosos de sua geração, tinha 25 anos em 1968 e tinha acabado de compor, em 1967, dois de seus maiores sucessos, “Pra dizer adeus” e “Ponteio”. Em 1968, compôs, entre muitas outras canções, “Memórias de Marta Sare”, com Gianfrancesco Guarnieri. Edu morava no Rio e fazia sucesso com músicas que traziam sons de um Brasil plural que se orgulhava de ser Brasil. Criou-se nas rodas das casas de portas abertas de grandes compositores como Tom Jobim, Luiz Eça, Vinicius de Moraes, Carlos Lyra. Foi à Passeata dos Cem Mil, emocionou-se com os discursos do psicanalista Helio Pellegrino e de Vladimir Palmeira. Já naquela época, pensava em sair do Brasil para estudar música. A fama como cantor não era o que perseguia. Preferia ser compositor, entender mais a língua musical para se comunicar melhor com os parceiros e arranjadores. Mesmo com as minas explosivas da censura pós-golpe militar, até 1968 o trabalho prosseguia com dignidade. Mas um acontecimento nefasto o afastou dos amigos: com a decretação do Al-5, ele foi embora para os Estados Unidos.

“O Al-5, imposto em dezembro de 1968, foi definitivamente o que acabou me empurrando para fora do Brasil no ano seguinte. Eu já estava pensando em sair para estudar, por isso, sem dúvida, foi um belo pretexto. Sempre tive ligações fortes com o Brasil e morar fora era complicado para mim. Então, em 1969, saí daqui para me apresentar no Midem, na França, com a Elis [Regina], e na volta passei pelos Estados Unidos. Preferi Los Angeles a Nova York, talvez por causa do sol, por ser um pouco menos diferente da minha terra.”

Antes do Al-5, a gente tinha uma certa liberdade, apesar da ditadura. Tanto que compus as músicas do Arena conta Zumbi, com o [Giangrancesco], e o conteúdo de cunho social das letras era bem explícito, sem disfarce. Uma vez fui intimado a depor e me perguntaram muito sobre o Arena.

Depois do Al-5, perdeu-se muita coisa na área da cultura por causa das proibições. Músicas, filmes, peças eram cortados ou proibidos. Lembro-me de um episódio engraçado. Duas músicas minhas foram mandas para os censores, como tínhamos que fazer, e voltaram censuradas. Eram ‘Casa forte’ e ‘Zanzibar’. Nenhuma das duas tem letra.”

Edu voltou de Los Angeles dois anos depois. Decidiu que retornaria para o Brasil quando passou por aqui vindo de uma turnê no Japão. Reviu os amigos na casa do pai, Fernando Lobo, e naquela noite se decidiu.

“Minha música depende muito dessas conversas, desses encontros com os amigos, os outros músicos. Na volta já não era a mesma coisa, mas ainda assim preferia estar aqui. Naqueles tempos, a gente queria mudar o mundo. Não sei se sobrou alguma coisa daquele espírito. A chamada musica de protesto se perdeu. Mas acho que foi assim no mundo inteiro. Não vejo herança daquilo. Hoje em dia se aposta na banalidade.”

sábado, 14 de junho de 2008

Tabu Santos x Corinthians

Por Gustavo Medeiros e Renata Brazil (Editoria de Esportes)

- Futebol

No dia 6 de março, o estádio do Pacaembu foi palco de uma das partidas mais emocionantes da história do clube.

Até então, o Corinthians já estava 11 anos e 22 partidas sem ganhar do Santos. Um tabu que vinha desde os 3 a 3 em 1957, quando o Timão conquistou a Taça dos Invictos e jogou pela primeira vez contra o Rei Pelé.

Contando com os novos reforços Paulo Borges, Buião e Eduardo, além do técnico Lula, o Corinthians entrou em campo determinado e pronto para passar pelo difícil, até então imbatível Santos de Pelé. No primeiro tempo, o jogo terminou empatado. O grande destaque foi o zagueiro Luis Carlos, que fez uma marcação implacável no Rei.

No segundo tempo, o Corinthians começa pressionando e Rivelino chuta uma bola na trave. Logo depois, aos 13 minutos, Paulo Borges faz 1 a 0, após uma tabela com Flávio. Melhor em campo, o Timão segue firme em busca do objetivo. Aos 31 minutos, Rivelino lança Flávio, que aproveita a chance e aumenta: 2 a 0. Depois disso, o time só esperou o juiz encerrar para poder comemorar. Fim do tabu.

A torcida invadiu o campo e carregou os heróis como se eles tivessem conquistado um título, gritando e cantando: "Com Pelé, Com Edu, nós quebramos o tabu" e “um, dois, três, o Santos é freguês”.

Veja o depoimento de Paulo Borges sobre a partida: “ Foi a melhor partida da minha vida. O Pacaembu estava lotado e todos esperavam pelo fim do tabu de 11 anos. Jogamos muito bem e passamos com sufoco. No segundo tempo, fiz 1 a 0 com um belo chute pela esquerda. Depois, o Flávio aumentou. Eles puseram duas bolas na trave e nos pressionaram muito, mas conseguimos. Nossa festa foi até de manhã e eu fiquei vendo o teipe do jogo lá no Parque.” O Corinthians ficou 11 anos sem ganhar do Santos. O tabu, de 22 jogos, só caiu na noite de 06/03/1968, com uma vitória por 2 x 0, com gols de Paulo Borges e Flávio.

O Santos entrou em campo com: Cláudio, Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Joel, Rildo, Lima, Negreiros, Kaneko, Toninho Guerreiro, Edu e Pelé. Já o Corinthians entrou com: Diogo, Osvaldo Cunha, Ditão, Luis Carlos, Maciel, Edson Cegonha, Rivelino, Buião, Paulo Borges, Flávio e Eduardo.

1968 – 2008: o movimento estudantil ontem e hoje

por Thatyana Freitas (Editoria de Política)

Ao lado do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), na Ilha da Cidade Universitária, uma faixa chama a atenção daqueles que passam no local. Nela está escrito: “Maio de 1968 – Maio de 2008: Os estudantes não vão se calar. Melhorias para os HUs já! Mais verbas para a saúde e educação”. Trata-se de um protesto dos estudantes de medicina das quatro universidades públicas do Rio de Janeiro: UERJ, UNIRIO, UFRJ e UFF.

Faixas de protesto dos estudantes de medicina da UERJ, UNIRIO, UFRJ e UFF próximo ao HUCFF

No dia 30 de maio, estudantes de medicina destas faculdades realizaram manifestações simultâneas em diversos pontos da cidade do Rio de Janeiro para contestar a falta de repasse de verbas por parte do governo para os hospitais universitários e protestar contra o abandono em que se encontram estes hospitais.

Cerca de 500 estudantes de medicina da UFRJ, vestidos com seus jalecos brancos, sentaram-se em duas faixas da Linha Vermelha, sentido baixada, na altura do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, conhecido como Hospital do Fundão, e bloquearam a via por cerca de meia hora. A polícia soltou bombas de gás lacrimogêneo e repreendeu os manifestantes. Simultaneamente, alunos da UNIRIO partiram do Hospital Universitário Gafreé e Guinle, na Tijuca, em direção ao Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel, onde realizaram nova manifestação em defesa dos hospitais universitários.

No dia 20 do mesmo mês, alunos de medicina da UFF haviam realizado uma manifestação em frente ao Hospital Universitário Antônio Pedro, em Niterói. O objetivo da manifestação era o mesmo: exigir melhorias nas condições de trabalho nos hospitais universitários e na educação superior.

Nas mensagens de protesto, os estudantes fazem referência ao movimento estudantil de 1968, que representou o auge do movimento estudantil brasileiro.

Naquele ano, explodem em vários países as manifestações estudantis. Em diversos lugares do mundo os jovens estudantes lutam contra guerras, injustiças sociais, buscam liberdade de expressão etc. No Brasil, em meio ao auge da violência do regime militar, lutam também pela educação, contra o autoritarismo dos militares, pela reforma agrária, por melhores condições de saúde, moradia etc.

Pelos livros, fotografias e artigos jornalísticos da época vemos que a atuação dos estudantes foi bastante representativa naquele período. Só para mencionar, o maior movimento de contestação ao Regime Militar, em 1968, a Passeata dos Cem mil, foi capitaneada, entre outros segmentos da população, pelos estudantes. Fora este acontecimento, houve ainda o Congresso da UNE, em Ibiúna, que terminou em violenta repressão policial, entre outras tantas mobilizações.

Durante os anos de chumbo, os militares colocaram as entidades estudantis na ilegalidade. Estudantes foram perseguidos e presos, muitos nunca foram encontrados.

Em 1984, os estudantes assumem um papel importante no movimento das Diretas Já!, cujo objetivo era a volta das eleições diretas para presidente no Brasil, uma proposta de retorno da democracia. O congresso votou a favor das eleições indiretas e Tancredo Neves foi nomeado presidente para o próximo mandato (a partir de 1985). Ficou decidido que eleições de 1989 seriam diretas.

Assim se fez. Depois de mais de três décadas de eleições indiretas Fernando Collor de Melo derrota nas urnas o seu adversário, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e é eleito Presidente da República. Por conta da corrupção em seu governo, o presidente eleito não chegou a concluir o mandato de quatro anos. A população mais uma vez foi às ruas, desta vez para lutar pelo Impeachment do então Presidente. O movimento teve forte adesão dos estudantes que ficaram conhecidos como Caras Pintadas, pois pintavam seus rostos em ato de protesto. Collor tem seu mandato cassado em 1992.

Os períodos mencionados acima foram marcos representativos da atuação dos estudantes no Brasil. Outras mobilizações foram realizadas, em outras épocas. Muitas delas não alcançaram grandes resultados concretos.

Recentemente os estudantes foram às ruas em diversas ocasiões brigar pelo passe livre, ocuparam reitorias em protestos contra o desvio de verbas e contra o Programa de Apoio aos Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), provocaram inclusive o afastamento do reitor de uma das maiores universidades públicas do País. Movimentos como estes e como aquele realizado pelos estudantes de medicina continuam a acontecer, mas faltam ainda atuações mais incisivas em prol dos interesses de toda a sociedade, ultrapassando a seara da educação.

O retorno ao passado suscita reflexões importantes a respeito do que temos feito hoje. Esta é uma boa oportunidade para pensar sobre o assunto. Pelo que temos lutado e o que temos, de fato, conseguido? Reflita você também.

A vaia em “Sabiá” e a torcida por Vandré – O exílio e o protesto

Por Camila Seta, Suellen Campos e Renata Brazil (Editoria de Música)

O tempo que se vivia em 1968 era m tempo de paixões. Pela política, contra a ditadura, pela arte. Os festivais de música acabavam se transformando em cenário de torcidas apaixonadas. Assim foi com o Festival Internacional da Canção (FIC), realizado anualmente de 1966 a 1972, no Maracanãzinho, no Rio. Era dividido em duas fases, nacional e internacional. A canção classificada em primeiro lugar na fase nacional representava o Brasil na fase internacional, disputando com representantes de outros países o prêmio Galo de Ouro, desenhado por Ziraldo. No FIC, Hilton Gomes, apresentador oficial, imortalizou a frase “Boa sorte, maestro!” e Erlon Chaves compôs o “Hino de FIC”, tema de abertura do festival.

No III FIC, que aconteceu em setembro e outubro de 1968, duas canções disputavam o prêmio nacional: “Sabiá”, de Tom Jobim e Chico Buarque, e “Pra não dizer que não falei de flores” (“Caminhando”), de Geraldo Vandré. Com uma letra explosiva em pleno regime militar, que incitava o povo a reagir e não esperar “acontecer” (“Quem sabe faz a hora/ Não espera acontecer”), Geraldo Vandré, sozinho no palco e de violão em punho, arrebatou um Maracanãzinho ávido por se pronunciar contra a ditadura e a falta de liberdade. “Sabiá”, mais lírica e menos impactante, interpretada por Cynara e Cybele, era uma música que falava do exílio a que muitos artistas e intelectuais estavam sendo (e iriam ser num futuro próximo) submetidos, e foi recebida como uma canção de amor. Também caiu no gosto do público, que se dividiu entre as duas, com torcidas. Mas quando o resultado final foi apresentado, uma boa parte vaiou a bela e sofisticada composição de Chico e Tom, achando que a música de Vandré só não ganhara porque criticava abertamente a ditadura militar. Chico e Tom tiveram de agüentar a chuva de vaias e Vandré saiu consagrado do Maracanãzinho, apesar do segundo lugar.

Apenas duas canções brasileiras foram contempladas com o Galo de Ouro: “Sabiá”, vencedora em 1968, e “Cantiga por Luciana”, de Edmundo Souto e Pulinho Tapajós, interpretada por Evinha e vencedora em 1969 do IV FIC.

Vencedoras do III Festival Internacional da Canção – 1968

“Sabiá” (Tom Jobim e Chico Buarque, com Cynara e Cybele).

“Pra não dizer que não falei de flores (“Caminhando”) – (Geraldo Vandré, com Geraldo Vandré).

“Andança” (Edmundo Souto, Danilo Caymmi e Paulinho Tajós, com Beth Carvalho e Golden Boys).

“Passaralha” (Edino Krieger, com o Grupo 004).

“Dia de vitória” (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, com Marcos Valle).

sexta-feira, 13 de junho de 2008

A origem literária do ano de 1968

Por Maria Laura (Editoria de Literatura)

A geração de 68 traz consigo marcas de diversas searas. O ano manifesto foi a explosão diante do que se viu em longos anos: a descolonização do continente africano, a crescente tensão da Guerra Fria, o aumento da dinâmica dos movimentos identitários da sociedade civil. Resgatando as origens de 1968, encontramos na literatura dos anos de 1950 um importante fator: o Novo Romance.

Surgido na França e que se estende pela Europa pós-guerra e EUA, o movimento literário pelo Novo Romance provoca uma ruptura no modo de construção do texto. Nathalie Sarraute, Michel Butor, Alain Robbe-Grillet, Claude Simon são alguns dos nomes do movimento. O historiador André Sena, professor de História Contemporânea da UERJ, aponta essa geração como a que vai para as ruas com os estudantes em 1968. “Esses autores vão pensar a expressão literária, que será completamente posta à público em 1968, a partir da descrição dos objetos, de uma experiência não mais estética, mas sinestésica”.

As características do Novo Romance são a desconstrução da narrativa psicológica, do personagem, fragmentações das identidades da narrativa e da sua linearidade. Essa nova escrita não agradou ao público e os autores foram chamados até de terroristas. “A idéia desse movimento que vai gerar, literariamente, o pensamento de 68, o coração do pensamento desses autores é criar uma narrativa capaz de construir o mundo e não uma narrativa que comece com o mundo já dado”, revela Sena.

“A estrada de Flandres” (1960), “História” (1967) ambos de Claude Simon, “Entre a vida e a morte” (1968) de Nathalie Sarraute, “L’Emplois du temps” de Michel Butor são algumas das publicações do movimento. No Brasil, Clarice Lispector dominou com maestria o romance cheio de divagações e fragmentações. “A paixão segundo G.H.” (1964) e “Água Viva” (1972) são excelentes exemplos da desconstrução nova romanesca.

A história do cinema em uma sociedade racista norte-americana

Por Giosete Vieira (Editoria de Cinema)

Adivinhe quem vem para jantar foi lançado em 1967 nos EUA e assistido em 1968 quando a luta pelos direitos civis agitava a América. Apesar de a violência racial correr solta do lado de fora dos cinemas na época do lançamento, nessa comédia romântica tudo se resolve com muita conversa. Algumas idéias sustentam o enredo de forma bem direta como a de que há negros com currículos impecáveis nos EUA; há brancos liberais e negros racistas por lá; o racismo aflora em situações limite nas melhores famílias; alguns negros não querem integração com os brancos e quebrar tabus é para os fortes ou muito apaixonados. Ah, como sempre, o amor é lindo e transforma o mundo.

O filme gira em torno do desconfortável jantar em que a filha de um rico e liberal proprietário de um jornal de São Francisco e sua mulher são confrontados pela filha Joanna de 23 anos, onde foi criada ouvindo os pais combaterem qualquer tipo de discriminação, principalmente no que tange ao relacionamento entre brancos e negros. Quando ela leva seu namorado (um médico negro) e os pais dele para jantar (e anunciar o casamento). A hipocrisia do discurso liberal e as contradições da racista sociedade norte-americana explodem por todos os lados, em interpretações memoráveis.

O casal de classe média americana precisa reavaliar seus princípios quando descobre que sua filha está namorando um rapaz negro inteligente e de promissora carreira. Dirigido por Stanley Kramer (Julgamento em Nurenberg) e com Spencer Tracy, Sidney Poitier e Katharine Hepburn no elenco. Vencedor de dois prêmios Oscar.

John (Sidney Poitier) e Joanna (Katharine Hougthon) se conheceram durante uma viagem, em pouco tempo se apaixonaram irreversivelmente e agora querem se casar o mais breve possível. O filme começa com o casal de pombinhos chegando de surpresa à casa da moça. Ela quer apresentar o novo namorado aos pais e falar com eles sobre a idéia do casamento. Joanna é uma moça refinada e jovial e John um médico viúvo com um currículo invejável. Os pais da moça são pessoas instruídas, bem sucedidas e liberais. Só há um probleminha que ninguém quer mencionar com todas as letras: ela é branca e ele, negro.

De férias, no Havaí, ela conhece e se apaixona pelo Dr. John Wade Prentice, médico negro, dez anos mais velho que ela, sendo por ele correspondido. Ao concluir uma série de palestras na Universidade local, o médico deve retornar à Genebra, onde é diretor da Organização Mundial de Saúde. Decidida a se casar com ele, Joanna pede-lhe que, em sua viagem de volta à Suíça, ele passe um dia na Califórnia a fim de conhecer seus pais. Assim, os dois viajam juntos para São Francisco. Do aeroporto, antes de seguirem para a casa de Joanna, a jovem decide passar pela Galeria de Arte da mãe, mas não a encontra. A Sra. Hilary St. George, que trabalha com Christina, mostra-se curiosa em relação ao jovem casal.

Uma vez em casa, Tillie, empregada negra da família há mais de 20 anos, recebe mal o médico por achar que, sendo de cor, não é digno de Joanna. Christina chega, logo a seguir e, após se sentir chocada com a notícia inesperada, recupera-se e passa a apoiar a filha, principalmente por vê-la tão feliz. Na ocasião, a jovem lhe explica que John deve seguir no dia seguinte para Nova York e, logo depois, para Genebra, enquanto ela deverá permanecer uma semana em São Francisco, antes de seguir para a Suíça a fim de se casar com ele.

O Sr. Drayton chega do jornal e também se sente chocado com a notícia. Embora se comporte de forma extremamente educada com o médico, não nega ser difícil para ele aceitar aquela situação. Pedindo licença, vai até seu escritório, de onde liga para o jornal e pede que levantem nos arquivos todas as informações sobre o médico. Minutos depois, é informado que o Dr. John Prentice é um homem de fama mundial, formado com louvor pela Universidade Johns Hopkins em 1954, tendo lecionado na Universidade de Yale e, em seguida, sido professor de medicina tropical, em Londres, antes de assumir uma diretoria na OMS; do seu currículo, constam ainda a publicação de dois livros e uma lista imensa de monografias e homenagens; no que tange à sua vida pessoal, foi casado com Elizabeth Bowers, com quem teve um filho, mas ambos morreram em um acidente em 1959.

John procura os pais de Joanna, em particular, aos quais diz que, se não houver o consentimento deles, não haverá casamento, pois, embora ame demais a jovem, não quer ser responsável por um desentendimento na família, o que certamente a faria sofrer. Tal colocação deixa o Sr. Drayton sentindo-se ainda mais pressionado a tomar uma decisão em menos de um dia.

Enquanto isso, quando John se comunica com os pais, que residem em Los Angeles, para lhes informar que se acha em São Francisco de passagem para Genebra, Joanna toma o telefone e os convida para virem a São Francisco e jantarem em sua casa naquela noite.

Percebendo suas reais intenções, Christina a demite no ato. Logo a seguir, chega ao local monsenhor Mike Ryan, um dos maiores amigos da família. Ao tomar conhecimento da situação, fica muito feliz e passa a dar a maior força aos dois jovens.

Às 19 horas, o Senhor e a Sra. Prentice chegam para o jantar. A exemplo do que está ocorrendo com os pais de Joanna, a mãe de John apóia a decisão do filho, enquanto seu pai mostra-se ainda mais radical que o Sr. Drayton. Vários encontros se sucedem entre os diversos envolvidos: Christina e a Sra. Prentice; o Monsenhor e o Sr. Drayton; John e o pai; o Sr. Drayton e o Sr. Prentice; o Sr. Drayton e a Sra. Prentice.

Ao final, depois de reunir todos na sala de estar, inclusive a empregada Tillie, o Sr. Drayton, num discurso emocionante, faz uma análise perfeita da situação, mostrando principalmente os problemas e dificuldades que o jovem casal vai ter que enfrentar, junto à sociedade cheia de preconceitos, e dizendo que, mesmo assim, não pode deixar de apoiar a decisão da filha. Em seguida, convida todos a passarem para a sala de jantar.

Adhemar Ferreira da Silva – O primeiro bicampeão de ouro do Brasil

Por Marcus Azevedo (Editoria de Esportes)

O ano de 1968 foi importante na história do país. Nos Jogos Olímpicos de 1968 realizados na Cidade do México que tivemos uma conquista de medalha de bronze no atletismo. O responsável foi Adhemar Ferreira da Silva, um paulistano de 41 anos, vindo de uma família humilde no bairro da Casa Verde, capital paulistana. Porém a história deste atleta tem muito mais conquistas a serem lembradas.

Adhemar na época de atleta

Adhemar começou a competir oficialmente no ano de 1947, na categoria de salto em distância, no campeonato chamado Troféu Brasil onde conseguiu a marca de 13,05 m, marca que fez com que ele disputasse os Jogos olímpicos daquele ano, sediados em Londres. Nestes jogos, porém, conseguiu apenas o 14° lugar.

Nas olimpíadas seguintes em Helsinque no ano de 1952, que aconteceram na Finlândia, Adhemar já não era um total desconhecido, pois já havia conseguido o primeiro lugar nos Jogos Pan-americanos. Nestas olimpíadas ele já disputava na categoria de salto triplo e não imaginava conseguir grava seu nome como novo recordista mundial. O recorde até então era de 16 metros e num mesmo dia ele superou a marca por quatro vezes: 16,05 m, 16,09m, 16,12m e 16,22m. Com essa vitória foi dada ela primeira vez a famosa volta olímpica para agradecer e receber de perto os aplausos do público.

Adhemar nos jogos olímpicos de 1952

Quatro anos depois, novamente tivemos os jogos olímpicos sediados em Melbourne na Austrália, no ano de 1956. Dois dias antes de sua competição, Adhemar sofreu com uma forte dor de dente, que quase poria em risco seu desempenho, mas foi sanada com uma punção aplicada por um dentista. Neste ano seu salto atingiu a marca de 16,36m quando conseguiu o marco de ser o primeiro brasileiro bicampeão em jogos olímpicos.

Disputou outros jogos olímpico e como já citado, na edição da Cidade do México, conseguiu apenas o 14º lugar. Um pouco mais tarde, no ano de 1960 o atleta contraiu tuberculose. Quando isto aconteceu, Adhemar já se encontrava prestes a participar das olimpíadas de Roma em que seria o porta-bandeira da delegação, mas devido a seqüelas da tuberculose e diagnósticos médicos não passou das eliminatórias.

Além das conquistas olímpicas Adhemar é pentacampeão sulamericano e tricampeão pan-americano e campeão luso-brasileiro além de outros títulos internacionais.

Após tantas conquistas nosso atleta veio a falecer de uma parada cardíaca em 12 de janeiro de 2001, aos 74 anos de idade.

Outros feitos de nosso atleta

Além de atuar na área dos esportes Adhemar circulava por outros setores da sociedade. Cursou escultura na Escola Técnica Federal de São Paulo, educação física na Escola do Exército, direito na Universidade do Brasil e Relações Públicas na Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero. Depois disso foi a vez de entrar em cena literalmente. No ano de 1956 ele atuou na peça Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes e três anos depois foi a hora de aparecer nas telonas. O atleta multi-graduado atuou no filme franco-ítalo-brasileiro Orfeu do carnaval, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 1959. Nos anos de 1964 a 1967 foi adido da Embaixada Brasileira na Nigéria.

Realmente se comprova com exemplos com este, que os grandes nomes da história do país não se atém somente ao que lhes é comum, o pensamento presente entre essas pessoas é sempre o de auto superação.

Adhemar nos dias de hoje